PDV Jacob
Tô odiando tudo isso, toda essa confusão e mudanças. E odeio mais ainda por ter partido da minha melhor amiga... Bella.
Pensar nela me doeu o coração, realmente eu estava apaixonado
“Ai, começou o monólogo matinal do apaixonadinho do Jacob” – ouvi em minha cabeça a voz do Embry
Rosnei em resposta
“Puta merda! Sam, você não pode o fazer parar?” – Paul reclamou
Estávamos correndo em patrulha em nossas terras. Eu tinha me juntado a alcatéia.
Transformei-me em lobo e agora estou cumprindo com o destino que meus antepassados me colocaram
“O que é pior? Ele pensando na Bella ou ele filosofando sobre entrar na alcatéia?” – Embry mais uma vez
“- Calem a boca e não se metam na minha cabeça”
“Como se fosse possível” – Paul resmungou
“Quietos! Prestem atenção no que estão fazendo” – Sam entrou na briga com sua voz dupla de alfa
Eu corri o mais rápido possível para me separar deles, corri até as novas vozes em minha mente estarem bem baixas. Tentei bloquear, mas sem sucesso voltei a minha forma humana
- O saco! – gritei em agonia – Maldita febre! Maldito destino! Malditos Cullen...
Andei mais um pouco até entrar em uma clareira, onde após ter posto minha bermuda, deitei e fiquei fitando o céu.
Estava sendo um martírio essa nova transformação, tive que me afastar da minha Bella... Caracas! Eu fui me apaixonar logo pela garota que está no olho do furacão que está causando a explosão das febres nos adolescentes descendentes dos antigos Quileutes lobos! E justo eu tinha que ser um desses, ainda mais, ser descendente do ultimo alfa. Mas eu não queria ser alfa, queria é me livrar disso tudo. Deixa o Sam ser o alfa.
Ouvi alguns galhos se mexerem suspeitosamente. Levantei já retirando o short, amarrando no tornozelo e explodindo em um enorme lobo de pelagem marrom, eu sabia que era grande, pois já tinha notado que eu era até maior que Sam.
Farejei o cheiro que vinha até mim através do vento, era um cheiro totalmente diferente dos que já tinha sentido. Uma mistura de canela com cravo, humano e algo mais, algo místico
Rugi para o estranho, que saiu de trás de uma arvore em um pulo
- Calma aê! Sou do bem! – Um garoto magrelo, estatura média, cabelos pretos despenteados, olhos verdes e que usava óculos de armação grossa e redonda parou poucos metros a minha frente. Ele estava com as mãos para cima como em rendimento, mas notei que uma das mãos segurava um graveto de madeira, polido e de formato bem aparado, mas ele segurava com tanta firmeza que desconfiei se era somente um simples graveto de madeira – Então você é um transmorfo
Ele sussurrou aquilo arregalando os olhos em total fascínio
Rugi novamente
- Desculpe, devo me apresentar corretamente. Meu nome é Harry, Harry Potter – ele sorriu nervosamente – E acho que me perdi – ele pegou o graveto, fez um movimento estranho e do nada, como em um passe de mágica, surgiu um mapa no chão – É, me perdi. Deveria ter virado a leste a três quilômetros atrás – ele me olhou como se esperasse a minha opinião
Grunhi em resposta. Ele não parecia ameaçador, a não ser aquele graveto estranho. Achei que deveria desconfiar e me afastar, mas não o deixaria em nossas terras sem antes investigar
“Jacob espere. Estamos indo para aí” – Sam havia voltado para minha cabeça
“Quem é esse? Vampiro?” – Embry perguntou com sua natural curiosidade
“Não é vampiro não, tapado. Não tá vendo o cheiro?” – Paul respondeu
“Ah, é mesmo” – Embry respondeu feliz pela dedução que não veio dele – “O que é?”
“- To tentando descobrir, mané” – grunhi para eles ficarem quietos
- Alguma discussão particular? – o tal do Harry Potter me perguntou. Como ele podia saber do que se passava entre os lobos? Pareceu que ele entendeu minha pergunta muda – Desculpe-me, na minha escola nós aprendemos tudo sobre vocês transmorfos, principalmente os da sua tribo, Quileutes né?
Virei-me para o meio da mata para me transformar de volta a humano. Vestindo o jeans pude ouvir que Sam, Embry e Paul haviam chegado
- A cavalaria chegou – Embry já foi falando vindo ainda sem roupa para meu campo de visão
- Pelo amor de Deus Embry! Vista sua roupa!
- Estou te constrangendo com a minha nudez perfeita? Eu sei que no seu íntimo você me inveja – ele falou pondo sua bermuda. Ele falava aquilo, mas às vezes o pegávamos divagando sobre o quão mais forte eu sou, até mais que o Sam – Eaí? O franzino é o que?
- Não sei – resmunguei esperando Sam e Paul saírem da mata
- Vamos descobrir agora. Ele disse que estava perdido, correto? – Sam apareceu vindo com Paul logo atrás
Com Sam na frente entramos na clareira e o menino estranho ainda estava abaixado olhando o mapa
- Pelas barbas de Merlin, até que não estou muito longe do meu destino, é só voltar por aqui... – ele falava sozinho enquanto com o galho ia fazendo magicamente riscos vermelhos brilhantes no mapa, demarcando o caminho que faria
- Hey! Menino – chamei-o
- Oh! – ele levantou a cabeça nos olhando confusos – Deixe eu me apresentar novamente. Meu nome é Harry Potter e vocês?
- Meu nome é Sam e estes são Paul, Embry e o que você já conheceu, Jacob – Sam ia nos apresentando deixando claro que ele era o líder – O que é você Harry Potter?
- Seus aguçados olfatos devem ter me delatado como mais que um humano – ele sorriu abertamente – Sabia que minha tese estava certa de que os transmorfos em lobos ou cachorros deveriam ter seu olfato tão superior quanto os próprios animais. Eu sou um bruxo e esta é minha varinha – ele sorriu mostrando o graveto
Entreolhamos-nos achando aquilo muito idiota para se falar. No mínimo o cara era um drogado que se perdeu no meio da mata da sua turma de drogados. Já havíamos encontrado uns desse tipo perdidos, principalmente os da turma do Sul com suas chefas Thamiris Giassi e Ketrin Strapazzon
- Bruxos não existem tampinha – Embry falou como se fosse mais alto que o garoto. Puff, eles eram da mesma estatura e estrutura corpórea
- Igualmente não existimos como pessoas que se transformam em lobos gigantes – ele sorriu triunfante com seu argumento – Além do mais, os trouxas não sabem de nossa real existência. Iria dar muita confusão com a magia
- Trouxas? – realmente o cara cada vez mais dava indícios de ser chapado. Mas sua linha de lógica era um pouco firme.
- Pessoas que não são bruxas
- Ah, claro – Embry concordou com cara de quem entendeu tudo, mas pura mentira. Deveria estar bem confuso. Ele só se compara com a idiotice do Emmett. Emmett... Agora ele deve ter se tornado vampiro também...
- Até parece que você conseguiu entender Embry – Paul implicou dando um soquinho que Embry devolveu com um olhar sério
Sam olhou para eles bravo, o que quebrou toda a brincadeira. Assim que Sam virou de volta para o bruxo, o clima de tensão era quase palpável. Sam parecia examinar se confiava ou não no estrangeiro. Mas eu sabia qual era a jogada. Sam iria fingir que confiava para puxar mais informações sobre o tal do bruxo, mas sempre com um pé atrás sem demonstrar a desconfiança.
- Você disse ao Jacob que estava perdido, certo?
- Sim, estou aqui atrás da minha prima. Eu descobri que não estou sozinho no mundo apenas com minha tia materna e sua família trouxa. Tenho nesta cidade alguém que penso ser outra pessoa mágica além de mim na família, por parte da família do meu pai
Eu olhei para ele desconfiando de quem seria. Ou a Bella arrumou mais uma estranheza na sua vida “normal”, ou era Alana e suas esquisitices
- Você sabe o nome dela? – perguntei com certo interesse. Fazia tempo que não via Alana e sentia sua falta.
Ela tentou falar comigo diariamente, mas há dois dias que não tentava. Eu gostava de ouvir sua voz pela secretária eletrônica, mas com tudo o que se passava com os Cullen sendo inimigos mortais e naturais dos Quileutes, era impossível manter contato
Sam me olhou como se suspeitasse que eu soubesse quem poderia ser. Apenas devolvi seu olhar acirrado
- Alana. Alana Siquara – ele falou com esperança na voz
- Não é a mina que te liga todo dia Jacob? – Embry tinha que abrir a sua boca grande
- Você a conhece? Pode me levar até ela? Por favor!
- Não, não posso. Não a vejo mais – falei com um tom neutro, sem demonstrar emoção na voz e encerrando o assunto, mas eu sabia que era outro motivo triste nessa nova vida. Perdi minhas duas e únicas melhores amigas de uma tacada só e por apenas um motivo
- Ah – o bruxo desanimou. Deu dó, mas ao mesmo tempo deu vontade de dar um tapão na cara drogada dele – Ok, eu vou deixando vocês... Fazendo o que vocês fazem e tentar encontrar minha prima – ele falou alegremente enquanto com um toque do graveto fez o mapa sumir e já se virando em direção a borda da clareira para ir embora - Tchau
- Sinto muito, mas não podemos deixar você vagar pelas nossas terras podendo ser algum perigo para nossa tribo – Sam falou marchando em direção ao garoto
O menino virou-se com o graveto pronto na mão
- Vocês não irão me impedir – ele falava com determinação na voz
Ele fez mais um daqueles movimentos estranhos com a varinha, mas não foi simplesmente um movimento, aquilo fez todos pararem grudados no chão, petrificados
- Sinto muito, mas minha família também vem em primeiro. Vocês voltarão ao normal em pouco tempo, mas tempo suficiente para eu partir
E correu para a floresta
Como ele tinha falado, em poucos minutos conseguimos nos mover. Assim que cada um foi se soltando foi uma sucessão de explosões. Nem Sam ou Embry, nem Paul, tiraram suas roupas. Eu pressentia que já era tarde demais para perseguir o bruxo
“Perdi o seu cheiro” – Embry falou a poucos metros floresta adentro
“Eu também, é como se ele tivesse sumido no ar” – Paul rosnou irritado – “Mas como...?”
Olhei em volta procurando por Sam
“Estou aqui Jacob, também perdi seu rastro” – Sam saiu de trás de uma árvore – “Vamos continuar a patrulhar a reserva, talvez encontremos seu rastro. Paul para o Leste, Embry para o Oeste, Jacob Norte e eu
vou para o Sul
Eu o olhei tentando alinhar nossos pensamentos. Como era para eu ser o Alfa, mas passei essa posição para Sam, que é descendente do segundo em comando da antiga alcatéia, nós conseguíamos manter essa linha particular de pensamentos
“Eu sei por que você quer ir para o Sul”
“Não vou deixar você chegar perto dos Cullen Jacob. Você deve se focar na sua família”
Grunhi em resposta
“Novamente aquele troço?” – Embry perguntou mostrando que estava irritado – “Detesto quando vocês fazem isso”
“Se concentra Embry” – Paul repreendeu por mim, mas logo engoli o agradecimento – “Também detesto”
Na patrulha não conseguimos mais rastrear o moleque bruxo, o que nos deixou muito irritados e onde descontávamos a irritação? Ou era na comida ou no atual caso, uns nos outros
Cada um foi para trás de uma arvore se trocar. Mesmo sendo todos homens queríamos pelo menos aquilo como sinal de privacidade, já que em forma de lobos compartilhávamos todos os pensamentos.
- To com uma vontade louca de socar a cara de alguém – Paul ralhou saindo já vestido com sua habitual bermuda jeans, tênis preto e camiseta de qualquer banda desconhecida
- Então somos dois – Embry chutou uma pedra no meio do caminho com tanta força que ela encravou na arvore que atingiu – Vamos um contra o outro? Melhor de três?
- Se acalmem ambos, não temos tempo para gastar entre lutas entre nós, temos que achar aquele bruxo o mais rápido possível. Nada sabemos dele direito e não podemos deixar uma possível ameaça desse tipo tão perto das nossas terras
Dito isso, fomos os quatro andando para a orla da floresta em direção a casa de Emily, noiva de Sam. Assim que ela nos avistou, saiu correndo em nossa direção indicando claramente que algo sério havia acontecido
- Sam! É o Jared! A transformação... – ela se chocou com Sam o abraçado
- Começou... Paul e Jacob, os dois continuem a ronda após comerem – acenamos com a cabeça e já entramos na casa de Emily para pegar alguns pães e partir para a ronda. Podíamos ainda escutar Sam do lado de fora – Embry venha comigo. Jared precisa de toda nossa ajuda nesse momento difícil.
A voz de Sam estava mortificada. Ele foi o primeiro a se transformar e assim acabou pegando o papel de alfa do grupo, ele estava em nossa cabeça nos apoiando em cada uma de nossas transformações. Primeiro Paul, depois Embry, eu e agora Jared. O ultimo que faltava que tínhamos certeza que também estava condenado a essa transformação era Quil.
- Agora vamos – Sam ordenou, fazendo as duplas irem em direção oposta
Eu e Paul passamos o tempo todo tentando se concentrar na nossa patrulha, mas cada vez ficava mais difícil com o som da voz do pensamento de Jared entrando em nossa mente. Ele estava sofrendo bastante e Sam estava lá explicando para Jared tudo o que estava acontecendo e Embry dando apoio
“Vamos Jared, logo tudo acabará bem” – apoiei meu amigo
“Isso aê meu irmãozinho” – Paul reforçou com firmeza na voz
E assim ia o dia
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